domingo, Novembro 12, 2006

sábado, Novembro 11, 2006

quarta-feira, Janeiro 26, 2005

Carta a Mário de Sá-Carneiro

Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueca. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a crianca triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Marco, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.

No jardim que entrevejo pelas janela caladas do meu sequestro, atiraram com todos os baloucos para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginacão, ter baloucos para esquecer a hora.

Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do "Marinheiro" ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se.

Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que lhe jurar que esta carta é sincera, e que as coisas de nexo histérico que aí vão saíram espontâneas do que me sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena - chia de aqui e de agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.

Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma grande vontade de chorar.

Pode ser que, se não deitar hoje esta carta no correio amanha, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e esgares dela no "Livro do Desassossego". Mas isso nada roubará à sinceridade com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.

As últimas notícias são estas. Há também o estado de guerra com a Alemanha, mas já antes disso a dor fazia sofrer. Do outro lado da Vida, isto deve ser a legenda duma caricatura casual.

Isto não é bem a loucura, mas a loucura deve dar um abandono ao com que se sofre, um gozo astucioso dos solavancos da alma, não muito diferentes destes.

De que cor será sentir?


Fernando Pessoa

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Doi-me a fome de não Ser mais..

terça-feira, Janeiro 25, 2005

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Eu sei que vos incomoda a minha dor, que vos entristece o meu silêncio, que vos magoa as minhas fugas... Eu sei...
Talvez por isso mesmo sinta ainda mais vontade de me refugiar em mim. A dor torna-se mais dor, quando sei que vos inquieto e preocupo.
Depois não me apetece perguntas, para as quais ainda não tenho respostas. Não me apetece fingir sorrisos, e uma serenidade que neste momento desconheço...
Não me apetece dar-vos as minhas lágrimas.
Na amizade, no amor, tudo se partilha até os silêncios, as fugas..
Não vou embora, fico aqui .. convosco e em silêncio...

segunda-feira, Janeiro 24, 2005

Em Ti...

Fundir (me)

Desejo...

domingo, Janeiro 23, 2005

Vazio...

Apenas um vazio imenso... a transbordar de uma dor dilacerante...

sábado, Janeiro 22, 2005

...

Se tu soubesses como a vida entristeceu...
Se tu soubesses...

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